Corte espada do rapé

O aplicador foi no meu nariz. Eu, um tanto incerto. Ele assoprou e foi como uma espada de fogo que degolou todo rancor e toda mágoa que eu carregava. Tudo simples como num sopro.

É engraçado as cartas que o destino joga com você. 

Na primeira narina, eu me senti afogado e meio assustado com a força do golpe que me limpou. Me levantei e fui ao banheiro assoar o nariz que não parava de escorrer. Meu piercing caiu, e esse simbolo fez toda diferença. Voltei para a segunda aplicação. Meus olhos transbordaram e estavam ali todas as lagrimas presas na represa da minha palpebra.

Eu me perdoei. Passei por cima do nove de espadas que meu tarot apontou e do qual eu nao conseguia fugir, por mais que eu tentasse.

Tudo a seu tempo, eu pensei. E fiquei meio bobo, um bobo um tanto sorridente.

Que bom. E que bobo eu era, tão bobo.

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Risadas

thesecret-gardens:

Gustav Vigeland. Kneeling Man Embracing a Standing Woman.

Chegue a mim

com esses teus lábios de papel crepom

na águacor da minha boca oca

se despedaçará

é assim razão

que teus cílios não encontram os meus

e teu beijo não faz mais chuva

no céu da minha boca

Victor Chaos

“But under the silence of what we say to each other,
is the much more articulate silence of what we don’t say to each other,
a storm of things unspoken,
coiled, reserved, appointed,
ticking away like a clock attached to a time-bomb:
crash, fire, demolition
wound up in the quietly,
almost tenderly,
small, familiar things unspoken.”

Eu não gosto de quem me arruina em pedaços
E Deus é quem sabe de ti
E eu não mereço um beijo partido

Moda de Viola

Os olhos daquela ingrata às vezes

me castigam às vezes me consolam

Mas sua boca nunca me beija.